Trofense – aprender a ser grande
A formação do Vale do Ave em estreia absoluta entre os maiores do futebol português. A aprender a ser grande, pela mão do empresário Rui Silva, presidente e Messias da colectividade nortenha. Com algum exagero, poder-se-á mesmo afirmar que o Trofense nunca poderia ter chegado tão alto não fosse a capacidade financeira conferida pelo dirigente, devidamente reforçada por alguns empresários da região.
Até há poucos anos, seria um absurdo alguém assumir que o Trofense teria condições para estar entre os maiores. Bastava conhecer o humilde campo de jogos da equipa, bem perto do centro da cidade. Aliás, mesmo depois da profunda remodelação de que está a ser alvo, o Estádio do Clube Desportivo Trofense continuará a ser um dos mais limitados do campeonato. Mas há vontade e a obra vai aparecendo. Nos tempos que correm, convenhamos, não é pouco.
Desportivamente falando, parece indiscutível a criteriosa formação do plantel às ordens de António Conceição, ele próprio um técnico com provas muito interessantes dadas nos últimos anos. No entanto, a pré-temporada esteve longe de ser fulgurante, apesar de alguns sinais positivos. Principalmente na coesão defensiva demonstrada. Em sete encontros de preparação, o Trofense conseguiu seis empates e apenas uma vitória.
Dos cinco golos marcados, três foram obtidos precisamente no triunfo em Gondomar. Este será, de resto, um pormenor a ser trabalhado por António Conceição que, à cautela, recebeu recentemente o goleador Zé Carlos, que tão bons sinais deixou no Marítimo e no Sp. Braga.
CONCLUSÃO
Paulo Lopes é um guarda-redes com um bom percurso sempre que treinado por António Conceição; Valdomiro e Milton do Ó conhecem bem o nosso campeonato e conferem agressividade e poder ao centro da defesa; Zamorano e Areias (ou Tiago Pinto) são laterais equilibrados, principalmente o esquerdino que já passou pelo F.C. Porto; Delfim, Mércio e Pinheiro têm muitos anos de primeira divisão nas pernas e serão o sustentáculo da fantasia destilada por Ricardo Nascimento, o dez da equipa; Zé Carlos e Lipatin têm condições para garantir golos, Hélder Barbosa, Edu Souza, Reguila e David Caiado possuem velocidade e dinamismo para actuar nas alas. O desenho do plantel promete estabilidade. Mas a prática, a competição, não se compadece com esboços teoricamente equilibrados.
MAIS
Licenciado na exigente escola de formação do Sp. Braga, António Conceição ameaça voltar a fazer uma grande temporada. Algo que, de resto, não é novidade para si. Depois de fazer um trabalho excelente na Figueira da Foz em 2003/04, subiu o Estrela da Amadora à primeira divisão e alcançou em 2005/06 um nono lugar. Após um trabalho difícil em Setúbal, chegou na temporada anterior à Trofa e fez história. A sua personalidade estável será, inevitavelmente, um ponto positivo na relação com este grupo de trabalho.
MENOS
Pese o investimento financeiro e as aparentemente acertadas opções desportivas, o Trofense será um dos principais candidatos à descida. Pelo menos durante as primeiras semanas do campeonato. Depois, estará nas mãos da própria equipa contrariar este vaticínio lógico. O Trofense começa logo com uma deslocação ao Estádio de Alvalade e do que fizer ou não contra o Sporting poderá sair já uma ideia daquilo que será capaz no imediato.
ESTRELA
Agora e sempre, Ricardo Nascimento. Um dos maiores talentos gerados pelo futebol português nos últimos 15 anos, um verdadeiro dez. A posição da excelência, da fantasia, da criatividade sem limites nem mordaças. Subtil no trato da bola, ardiloso na descoberta de caminhos proibidos e audaz no abraço à geometria no rectângulo de jogo. O que lhe terá faltado, então, para ter sido figura de proa num clube de grande dimensão? Talvez uma personalidade muito própria, talvez uma irreverência exagerada enquanto jovem, talvez opções estranhas em determinados momentos da carreira.
Fonte: Mais Futebol


























