Académica -fazer mais com menos
José Eduardo Simões avisou, na tomada de posse, já próxima do final da última época, que o orçamento iria ser reduzido. Não disse em quanto, mas os números revelados agora permitem perceber que a Briosa terá menos 250 mil euros para gastar, passando a ter um bolo de 3,5 milhões de euros. O desafio passa por tentar melhorar o 12º lugar da última época com menos recursos. Uma tarefa que não se avizinha fácil, mas não há, aparentemente, motivos para esperar pior.
O plantel, muitas vezes apelidado de inexperiente ao longo da temporada transacta, ganhou maturidade e com o recurso ao satélite Tourizense passou a dispor de mais soluções e qualidade. Não andará longe da verdade, embora na frente haja ainda espaço para um ponta-de-lança mais tarimbado, para quando for preciso optar por um plano B, sobretudo em casa. Edgar e Joeano não deixaram saudades, mas ter apenas Garcés e dois avançados imberbes como Éder, que veio justamente de Touriz, e o regressado Vouho (esteve emprestado ao Portimonense) como referências de área parece curto.
O último defeso revelou uma Académica diferente na gestão dos efectivos, com uma diminuição substancial no número de jogadores emprestados, que passaram de cinco para apenas um, e os estudantes a assumirem agora o papel inverso: Vítor Vinha foi cedido ao E. Amadora, Ricardo ao U. Leiria e Fofana ao Santa Clara. A época de despesismo parece ter acabado e em vez de gastar nas contratações, desfazendo-se depois de algumas a custo zero, o clube até fez bons negócios, com a venda de Kaká ao Hertha por cerca de um milhão de euros ou o empréstimo de Paulo Sérgio ao Al Ittifaq, da Arábia Saudita.
Do pouco que se viu na pré-época (oito jogos), fica apenas uma derrota, diante do Santa Clara, mas no único jogo com uma equipa do mesmo escalão, o Nacional, o nulo prevaleceu.
CONCLUSÃO
O objectivo é realizar uma época tranquila. Os «estudantes» movimentaram-se no mercado no sentido de colmatar as saídas e terão conseguido fazê-lo de forma acertada. Os jogadores estão identificados com as ideias do treinador e há condições para que os objectivos sejam alcançados. Mas a luta deverá ser terrível.
MAIS
Poucas mudanças. Saíram Kaká, o patrão da defesa, e Luís Aguiar e, no mais, a Académica manterá a estrutura da última época. Qualquer das baixas foi colmatada com reforços de qualidade semelhante, provenientes da América do Sul e apenas com o inconveniente de terem de passar pelo natural período de adaptação: Luiz Nunes, de currículo apreciável (campeão na Argentina pelo River Plate e no Uruguai, ao serviço do Peñarol) e Carlos Aguiar, o irmão mais velho do agora jogador do Sp. Braga e classificado pelo próprio como ainda mais completo e experiente. A continuidade de Domingos e o facto de a equipa já estar rotinada no esquema 4×1x3×2 facilita a transição, num onze que só deverá registar, no máximo, quatro novidades.
MENOS
É ainda cedo para tirar conclusões, mas aquela que terá sido a aquisição mais sonante para esta época, o polaco Madej, não confirmou, até agora, o rótulo que trouxe do seu país. Está ligado a uma estória envolvendo Domingos, quando ainda era jogador: o pequeno Lukasz, na altura (1994), apanha-bolas no Lodz, o seu clube de sempre, gostava tanto do ponta-de-lança do F.C. Porto que lhe pediu um autógrafo quando os portistas lá jogaram, para a Taça das Taças. O agora técnico avisou logo, em tom de brincadeira, que o episódio não lhe iria conceder qualquer favorecimento, mas está visto que terá de haver muita paciência para esperar pelo despontar deste internacional polaco de 26 anos.
ESTRELA
Melhor marcador dos estudantes da época transacta, com nove golos, Lito parece pronto para mais uma grande época, pese os seus 33 anos. Exemplo de profissionalismo e vida regrada, só assim se explica a longevidade do avançado cabo-verdiano, um dos mais utilizados na última temporada, com 27 jogos.
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